Sunday, 9 September 2007

Cena 1

Noite de Sábado, dia 7 de Outubro de 2006.

No Bart Tatum, paira uma espessa névoa azul clara sobre todo aquele amontoado de amantes de Jazz, que aguardam ansiosos por mais um concerto do trio Lisboa Jazz, enquanto fumam cigarro atrás de cigarro e degustam os Whiskeys ou os Gins, simples, com gelo, com água tónica ou Coca-Cola, tanto faz, desde que seja Whiskey ou Gin. Como na música afro americana, seja ela Blues ou Jazz, o que interessa é que seja. É para isso que eles ali estão, para a escutar, é por isso que eles vieram esta noite, para a sentir, é por ela que muitos deles ainda estão apaixonados, tão apaixonados como no primeiro dia que ouviram o Blues ou o Jazz, a Bessie Smith ou o Louis Armstrong.

E por isso aguardam murmurando comentários sobre a banda residente das noites de sábado. Comentam o virtuosismo do jovem pianista negro que estuda no Conservatório de Lisboa e se dedica ao Jazz por amor a Art Tatum. O qual imita sem complexos e quando a rapidez de interpretação não é a suficiente, sorri, e embrulha todo aquele som, numa capa mágica de improvisação, lembrando a todo aqueles que o escutam de olhos semicerrados mas certamente com o coração aos pulos de emoção, que antes de mais, o Homem do Jazz é um improvisador por excelência. Essa é a matriz da música afro americana – todo o jazzista é um compositor.

Também virtuoso é o baixista da banda. Um quarentão auto ditada que, por a banda não ter baterista, assume a responsabilidade de marcar o tempo das músicas que interpretam. Mas aquele baixo, comentam os clientes com um sorriso malicioso, é um como um bígamo. Porque, além de não abdicar do seu papel principal que é marcar o tempo da música, ainda tem energia suficiente para se intrometer entre o piano e o Saxofone, afim de ser ele a marcar o ritmo. Deixando a harmonia exclusivamente com o piano e a melodia com o saxofone. Isto, quando as músicas estão no inicio e a improvisação ainda não desabrochou, porque na realidade o que acontece depois, quando os olhos já estão fechados, numa clara busca interior, e a improvisação toma conta da noite, é o saxofone e o piano que mais se expõem ao público. São aqueles dois instrumentistas que mais se dão, que mais confessam aquilo que são, aquilo que sentem. As dores, as tormentas, as agruras da vida que teimosamente os persegue. A dor do fado que acompanha estes interpretes portugueses de Blues e Jazz, todas os sábados à noite no Tatum Bar, no Cais do Sodré.

continua?

In Homicidios em Lisboa por Eric Lung

Art Tatum:



8 comments:

Madrugada said...

Não sendo eu um confesso amante de jazz, te digo- que vale sempre,sempre a "pena" vir aqui.

-Eric, para quando outra daquelas histórias empolgantes?

Abraço.

Lune said...

Olá mano ciumento... não tenhas ciúmes, pois jamais alguém ocupará o teu lugar no meu coração. Quanto ao jazz é mais para o Carlos.
Amo-te muito.
Luisa

un dress said...

:) beijO

un dress said...

estás beM ?

mais um beijO :)

Lune said...

Então maninho, não andas inspirado? Tenho tantas, tantas, tantas saudades tuas.
Beijocas grandes
Luisa

FM said...

então pá?
em silencio ando por aki.
mas sinto a tua falta
escreve porra

un dress said...

.hoje venho

a bra Çar Te !! :)

Anonymous said...

E eis que surge mais uma história...agora que começaste não podes parar! A mente dos criativos é mesmo assim...irrequieta e insatisfeita!
Beijos com muitas saudades da tua mana Luso-Ribatejana!
Xana